Diferenças Fisiopatológicas de Gênero na Insuficiência Cardíaca

 

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Por Dra. Carla Janice Baister Lantieri (CRM-SP 99.875) e Dr. José Alexandre da Silveira (CRM-SP 101.472)

 

Dependendo do tipo de insuficiência cardíaca (IC) que o paciente possa apresentar, existem várias diferenças fisiopatológicas que colocam as mulheres em maior risco. Por exemplo, as mulheres demonstraram maior predisposição à inflamação endotelial e à disfunção da microvasculatura coronariana, além de sinalização alterada do óxido nítrico.1

 

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Entretanto, as mulheres estão sub-representadas nos estudos clínicos randomizados que demonstraram mortalidade ou benefícios em IC e que influenciam as diretrizes atuais. A representação é fundamental para melhor delineamento das diferenças específicas de gênero nos principais resultados dos estudos. Assim, são necessários esforços para garantir a inclusão equitativa e apropriada das mulheres nos estudos de IC. Em uma revisão de 33 estudos clínicos randomizados, as mulheres representaram apenas 23% de todos os participantes inscritos.3
 

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Existem diferenças de gênero na resposta imune em geral, com as mulheres geralmente exibindo mais citocinas pró-inflamatórias, ativação de células T, maiores níveis de marcadores inflamatórios e, no miocárdio feminino, uma regulação positiva da expressão genética pró-inflamatória.1

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As mulheres apresentam maior risco de ICFEp1

 

A disfunção endotelial da vasculatura sistêmica e pulmonar pode desempenhar um papel na fisiopatologia da IC com fração de ejeção preservada (ICFEp). As mulheres têm maior predisposição ao desacoplamento entre o ventrículo e as artérias, um processo que se intensifica com a idade. Esse desacoplamento implica uma deterioração da interação entre o coração e os vasos sanguíneos, limitando a capacidade do coração de se ajustar durante o exercício. Tal comprometimento é uma das anormalidades-chave na ICFEp.1

O risco de ICFEr ao longo da vida tanto para homens quanto para as mulheres é de 1 em 5.3
Entretanto, as mulheres com ICFEr apresentam mais sinais e sintomas, pior qualidade de vida e maior comprometimento funcional e psicológico do que os homens.3

Certos fatores de risco tradicionais, como diabetes, predispõem a um pior prognóstico em mulheres com ICFEr em comparação com os homens, e os riscos específicos do gênero, como a cardiomiopatia periparto, o tratamento do câncer de mama e a cardiomiopatia por estresse, tornam a ICFEr nas mulheres um processo de doença único.3

 

Há diferenças entre os gêneros para o tratamento da IC?

 

Mulheres e homens apresentam respostas farmacológicas diferentes a alguns medicamentos, o que impacta no tratamento da IC. Foi demonstrado que as mulheres têm concentrações plasmáticas até 2,5 vezes maiores de alguns medicamentos para a IC. Essas concentrações plasmáticas mais elevadas podem afetar a resposta à dose e muitas vezes resultar em mais efeitos colaterais com doses semelhantes às utilizadas em homens.1

O risco de efeitos colaterais em mulheres é muitas vezes subestimado, pois elas são menos representadas em estudos clínicos de tratamento da IC, nos quais os homens são mais frequentemente inscritos.1 No entanto, no estudo PARAGON-HF,4 que registrou uma proporção maior de mulheres, observou-se que sacubitril valsartana sódica hidratada reduziu significativamente a taxa de mortalidade cardiovascular e hospitalizações totais em mulheres em comparação com homens com ICFEp.1

Já o estudo PARADIGM-HF,5 que comparou a sacubitril valsartana sódica hidratada (INRA) versus enalapril em pacientes com IC sintomática com fração de ejeção menor ou igual a 40%, que incluiu 21% de mulheres, mostrou maior redução no desfecho primário combinado de mortalidade cardiovascular e hospitalização por IC para as mulheres tratadas com INRA. Nas mulheres, esse benefício foi impulsionado pela redução de hospitalizações.2

Para saber mais sobre o IMPACTO DA MELHORA CARDÍACA ESTRUTURAL COM O TRATAMENTO OTIMIZADO DA ICFEr NA MULHER, com apresentação de Caso Clínico, disponibilizamos para download um material completo elaborado pela Dra. Carla Janice Baister Lantieri (CRM-SP 99.875) e pelo Dr. José Alexandre da Silveira (CRM-SP 101.472).
 

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Referências
1. American College of Cardiology. Focus on Heart Failure. Heart Failure in Women: Understanding the Differences to Change the Paradigm. Feb 02, 2024. Cardiology Magazine. Disponível em: https://www.acc.org/Latest-in-Cardiology/ Articles/2024/02/01/01/42/focus-on-heart-failure-heart-failure-in-women-understanding-the- differences-to-change-the-paradigm. Acesso em: 7 maio 2024. 2. Mentzer G, Hsich EM. Heart Failure with Reduced Ejection Fraction in Women: Epidemiology, Outcomes, and Treatment. Heart Fail Clin. 2019 Jan;15(1):19-27. 3. Ekpo E, Balla S, Ngo S, Witting C, Sarraju A, Furst A, et al. Underrepresentation of Women in Reduced Ejection Heart Failure Clinical Trials With Improved Mortality or Hospitalization. JACC Adv. 2024 Jan;3(1):100743. 4. Solomon SD, McMurray JJV, Anand IS, Ge J, Lam CSP, Maggioni AP, et al.; PARAGON-HF Investigators and Committees. Angiotensin-Neprilysin Inhibition in Heart Failure with Preserved Ejection Fraction. N Engl J Med. 2019 Oct 24;381(17):1609-20. 5. McMurray JJ, Packer M, Desai AS, Gong J, Lefkowitz MP, Rizkala AR, et al.; PARADIGM-HF Investigators and Committees. Angiotensin-neprilysin inhibition versus enalapril in heart failure. N Engl J Med. 2014 Sep 11;371(11):993-1004.


 

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